O que é bullying?
Bullying é uma situação que se caracteriza por agressões
intencionais, verbais ou físicas, feitas de maneira repetitiva, por um ou mais
alunos contra um ou mais colegas. O termo bullying tem origem na palavra
inglesa bully, que significa valentão, brigão. Mesmo sem uma
denominação em português, é entendido como ameaça, tirania, opressão,
intimidação, humilhação e maltrato.
O bullying é uma das formas de violência que mais cresce no mundo e
pode ocorrer em qualquer contexto social, como escolas, universidades,
famílias, vizinhança e locais de trabalho. O que, à primeira vista, pode
parecer um simples apelido inofensivo pode afetar emocional e fisicamente o
alvo da ofensa.
Além de um possível isolamento ou queda do rendimento escolar, crianças
e adolescentes que passam por humilhações racistas, difamatórias ou
separatistas podem apresentar doenças psicossomáticas e sofrer de algum tipo de
trauma que influencie traços da personalidade. Em alguns casos extremos, o
bullying chega a afetar o estado emocional do jovem de tal maneira que ele opte
por soluções trágicas, como o suicídio.
O que não é bullying?
Discussões ou brigas pontuais não são bullying. Conflitos
entre professor e aluno ou aluno e gestor também não são considerados bullying.
Para que seja bullying, é necessário que a agressão ocorra entre pares (colegas
de classe ou de trabalho, por exemplo). Todo bullying é uma agressão,
mas nem toda a agressão é classificada como bullying.
Para Telma Vinha, doutora em Psicologia Educacional e professora
da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), para
ser dada como bullying, a agressão física ou moral deve apresentar quatro
características: a intenção do autor em ferir o alvo, a repetição da
agressão, a presença de um público espectador e a concordância do alvo com
relação à ofensa. ''Quando o alvo supera o motivo da agressão, ele reage ou
ignora, desmotivando a ação do autor'', explica a especialista.
O bullying é um fenômeno recente?
Não. O bullying sempre existiu. No entanto, o primeiro a
relacionar a palavra a um fenômeno foi Dan Olweus, professor da Universidade da
Noruega, no fim da década de 1970. Ao estudar as tendências suicidas entre
adolescentes, o pesquisador descobriu que a maioria desses jovens tinha sofrido
algum tipo de ameaça e que, portanto, o bullying era um mal a combater.
A popularidade do fenômeno cresceu com a influência dos meios
eletrônicos, como a internet e as reportagens na televisão, pois os apelidos
pejorativos e as brincadeiras ofensivas foram tomando proporções maiores.
"O fato de ter consequências trágicas - como mortes e suicídios - e a
impunidade proporcionaram a necessidade de se discutir de forma mais séria o
tema", aponta Guilherme Schelb, procurador da República e autor do
livro Violência e Criminalidade Infanto-Juvenil (164 págs., Thesaurus
Editora tel. (61) 3344-3738).
O que leva o autor do bullying a
praticá-lo?
Querer ser mais popular, sentir-se poderoso e obter uma boa
imagem de si mesmo. Isso tudo leva o autor do bullying a atingir o colega com
repetidas humilhações ou depreciações. É uma pessoa que não aprendeu a
transformar sua raiva em diálogo e para quem o sofrimento do outro não é motivo
para ele deixar de agir. Pelo contrário, sente-se satisfeito com a opressão do
agredido, supondo ou antecipando quão dolorosa será aquela crueldade vivida
pela vítima.
Sozinha, a escola não consegue resolver o problema, mas é
normalmente nesse ambiente que se demonstram os primeiros sinais de um
praticante de bullying. "A tendência é que ele seja assim por toda a vida,
a menos que seja tratado", diz.
Como identificar o alvo do bullying?
O
alvo costuma ser uma criança ou um jovem com baixa autoestima e retraído tanto
na escola quanto no lar. ''Por essas características,
dificilmente consegue reagir'', afirma o pediatra Lauro Monteiro Filho,
fundador da Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e
Adolescência (Abrapia). Aí é que entra a questão da repetição no bullying, pois
se o aluno procura ajuda, a tendência é que a provocação cesse.
Além dos traços psicológicos, os alvos desse tipo de
violência costumam apresentar particularidades físicas. As agressões podem
ainda abordar aspectos culturais, étnicos e religiosos. "Também pode
ocorrer com um novato ou com uma menina bonita, que acaba sendo perseguida
pelas colegas", exemplifica Guilherme Schelb, procurador da República e
autor do livro Violência e Criminalidade Infanto-Juvenil (164 págs., Thesaurus Editora tel. (61) 3344-3738).
Quais são as consequências para o aluno
que é alvo de bullying?
O
aluno que sofre bullying, principalmente quando não pede ajuda, enfrenta medo e
vergonha de ir à escola. Pode querer abandonar os estudos, não se achar bom
para integrar o grupo e apresentar baixo rendimento.
As vítimas chegam a concordar com a agressão, de acordo com
Luciene Tognetta, doutora em Psicologia Escolar e pesquisadora da Faculdade de
Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O discurso deles segue
no seguinte sentido: "Se sou gorda, por que vou dizer o contrário?
“Aqueles que conseguem reagir podem alternar momentos de ansiedade e
agressividade. Para mostrar que não são covardes ou quando percebem que seus
agressores ficaram impunes, os alvos podem escolher outras pessoas mais
indefesas e passam a provocá-las, tornando-se alvo e agressor ao mesmo tempo.
O que é pior: o bullying com agressão
física ou o bullying com agressão moral?
Ambas
as agressões são graves e causam danos ao alvo do bullying. Por ter consequências imediatas e facilmente visíveis,
a violência física muitas vezes é considerada mais grave do que um xingamento
ou uma fofoca. ''A dificuldade que a escola encontra é justamente porque o
professor também vê uma blusa rasgada ou um material furtado como algo concreto.
Não percebe que uma exclusão, por exemplo, é tão dolorida quanto ou até mais'',
explica Telma Vinha, doutora em Psicologia Educacional e professora da
Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
O espectador também participa do bullying?
Sim. É
comum pensar que há apenas dois envolvidos no conflito: o autor e o alvo. Mas
os especialistas alertam para esse terceiro personagem responsável pela
continuidade do conflito. O espectador típico é uma testemunha dos fatos, pois
não sai em defesa da vítima nem se junta aos autores. Quando recebe uma
mensagem, não repassa. Essa atitude passiva pode ocorrer por medo de também ser
alvo de ataques ou por falta de iniciativa para tomar partido.
Também
são considerados espectadores os que atuam como plateia ativa ou como torcida,
reforçando a agressão, rindo ou dizendo palavras de incentivo.
Eles retransmitem imagens ou fofocas. Geralmente, estão acostumados com a
prática, encarando-a como natural dentro do ambiente escolar. ''O espectador se
fecha aos relacionamentos, se exclui porque acha que pode sofrer também no
futuro. Se for pela internet, por exemplo, ele apenas repassa a informação. Mas
isso o torna um coautor'', explica a pesquisadora Cléo Fante, educadora e
autora do livro Fenômeno Bullying: Como Prevenir a Violência nas
Escolas e Educar para a Paz (224 págs., Ed. Verus, tel. (19)
4009-6868).
O que fazer para evitar o bullying?
A Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância
e Adolescência (Abrapia) sugere as seguintes atitudes para um ambiente saudável
na escola:- Conversar com os alunos e escutar atentamente reclamações ou
sugestões:
· Estimular os estudantes a
informar os casos;
· Reconhecer e valorizar as
atitudes da garotada no combate ao problema;
· Criar com os estudantes
regras de disciplina para a classe em coerência com o regimento escolar;
· Estimular lideranças
positivas entre os alunos, prevenindo futuros casos;
· Interferir diretamente nos
grupos, o quanto antes, para quebrar a dinâmica do bullying;
Todo ambiente escolar pode apresentar esse problema.
"A escola que afirma não ter bullying ou não sabe o que é, está negando
sua existência", diz o pediatra Lauro Monteiro Filho, fundador da
Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência
(Abrapia). O primeiro passo é admitir que a escola é um local passível de
bullying. É necessário também informar professores e alunos sobre o que é o problema
e deixar claro que o estabelecimento não admitirá a prática. "A
escola não deve ser apenas um local de ensino formal, mas também de formação
cidadã, de direitos e deveres, amizade, cooperação e solidariedade.
Agir contra o bullying é uma forma barata e eficiente de
diminuir a violência entre estudantes e na sociedade", afirma o pediatra.
Texto retirado do site: https://novaescola.org.br/conteudo/336/bullying-escola

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